Comunicado da Câmara Municipal de Viseu

O Ministro Pedro Marques é mestre do ilusionismo, pois consegue, quase em simultâneo, dar com uma mão e tirar com a outra. Num dia aumenta as portagens na autoestrada A25 e nas outras antigas Scut, para todos os que nelas circulam, e poucos dias depois vem anunciar, com pompa e circunstância, a redução de portagens para o transporte de mercadorias, num valor semelhante ao estipulado para os aumentos fixados dias antes.

Discriminação positiva - mensagem sempre na ponta da língua deste Governo - seria não aumentar as portagens nas antigas Scut. No caso da A25 acresce o facto de sofrer, em 2019, o maior agravamento para as classes 1 e 4, na ordem dos 25 cêntimos. Isto quando não existe alternativa rodoviária válida para quem vive e trabalha nesta região.

Constata-se, infelizmente, que o Ministro Pedro Marques está já em campanha eleitoral, prosseguindo a estratégia do Governo da geringonça: apostar numa política do parecer em vez do ser.

Mas neste roteiro de propaganda pelo Interior, o Ministro do Planeamento e Infraestruturas esqueceu-se, infelizmente, de explicar, de uma vez por todas, outros dossiês estruturantes para o desenvolvimento da região em matéria de acessibilidades.

Ao contrário do que era seu dever, não explicou a razão de ainda não terem arrancado as obras no IP3, que o próprio garantiu, em julho, começariam ainda em 2018.  “Em breve”, foi a única explicação que conseguiu dar por estes dias aos jornalistas, quando questionado sobre a intervenção na ligação Viseu-Coimbra.

Lamentavelmente, o Ministro do Planeamento e Infraestruturas esqueceu-se também de explicar o atraso na apresentação do projeto de requalificação da Estrada Nacional (EN) 229, numa extensão de 10 quilómetros, entre o Parque Empresarial do Mundão e o nó de Sátão. Mais uma vez, os prazos são assumidos, mas depois não são cumpridos.

Mas o esquecimento do Ministro não fica por aqui: não disse quando começa de uma vez por todas a requalificação do troço do antigo IP5, entre Boa Aldeia e o Caçador.

As políticas em prol da valorização do Interior, apresentadas sempre com elevadas doses de cosmética, começam a perder a cor, arrastando-se penosamente entre as viagens mediáticas dos membros deste Governo pelo País real.