Biblioteca Municipal de Viseu recebe doação da biblioteca de Gilberto de Carvalho

Espólio reúne 9829 títulos e documentos, com núcleos relevantes ligados à história local e regional e a obras de Aquilino Ribeiro

A Câmara Municipal de Viseu celebrou hoje o contrato de doação do fundo documental Gilberto de Carvalho à Biblioteca Municipal Dom Miguel da Silva. O ato foi realizado pelo Presidente da Câmara, Almeida Henriques, e a herdeira e dona do espólio, Ana Maria Madureira.

A doação é constituída por 9829 documentos que se encontram a ser tratados para integração.

Da biblioteca destacam-se núcleos temáticos relevantes de obras de Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro e Eça de Queiroz; de títulos de literatura, história, política e religião, assim como de documentos relativos à história local e regional de Viseu. No espólio constam ainda diversas primeiras edições autografadas pelos respetivos autores, como é o caso de Aquilino Ribeiro.

Após a integração do fundo será dado início aos trabalhos de elaboração da primeira exposição, a ter lugar na Biblioteca no primeiro semestre de 2018.

Nascido em Viseu em 1904, Gilberto de Carvalho foi um importante jornalista de Viseu e uma das figuras mais prestigiadas e respeitadas do seu tempo.

 

Enquanto jornalista, foi correspondente de títulos como O Primeiro de Janeiro, Diário Popular, O Século, O Comércio do Porto, Diário de Lisboa e o Diário de Coimbra, ai assinando com o pseudónimo de Vaz da Cunha.
Proprietário da Tipografia Popular, na Praça D. Duarte, era ainda membro e dirigente da Igreja Evangélica Baptista de Viseu.
Escreveu vários livros, entre eles “O Crime da Poça das Feiticeiras”, “Viseu no Tempo de Camilo e no Amor de Perdição”, “Da arte e do jeito de falar “ e “ Aquilino Ribeiro – pequenas coisas num grande homem”.
Amigo muito próximo de Aquilino esteve envolvido na sua fuga do Presídio Militar do Fontelo, atual Solar do Vinho do Dão. Não se revendo no regime político que então vigorava no País foi apoiante do General Humberto Delgado.
Na sua vida, exerceu uma significativa diversidade de profissões, entre as quais a de aprendiz de serralheiro, ferroviário, tipógrafo, agente de seguros e alfarrabista.
Faleceu a 8 de Setembro de 1973, na noite em que ardeu a antiga Casa de Saúde S. Mateus, no Largo da Feira.
Foi casado com Maria Hermínia Peres de Carvalho com quem teve três filhos: Piedade de Carvalho Abrantes, Eurico Peres de Carvalho e Gilberta Peres de Carvalho Ramos.