MATA DO FONTELO

 

Sobre a Mata

A Mata do Fontelo, a par da sua riqueza botânica, detém um elevado valor arquitetónico e histórico, cuja origem remonta ao séc. XII. Atualmente, é indissociável da Mata o antigo Paço Episcopal, cuja edificação se iniciou em 1399, e que abriga o atual Solar do Vinho do Dão. Para além deste, destaca-se o jardim formal de origem renascentista junto ao Solar.

O conjunto formado pela mata, paço e jardim testemunha as intervenções impulsionadas pelo Bispo D. Miguel da Silva que, no século XVI, transformaram o Fontelo numa magnífica quinta de recreio renascentista. Em 1926, a mata e o jardim foram definitivamente cedidos ao Município de Viseu. Neste espaço natural, podemos ainda encontrar testemunhos da arte renascentista como a capela de São Jerónimo e património azulejar dos anos 30 do século XX.

Do ponto de vista de preservação do património florístico, esta Mata pode ser considerada uma montra da floresta de carvalhal da zona temperada húmida de Portugal continental, caracterizada pela presença de carvalho-alvarinho, carvalho-negral, azereiro e bordo - no estrato arbóreo -, de medronheiro, pilriteiro, giesta e codeço - no estrato arbustivo -, bem como de gilbardeira - no estrato herbáceo.

Em menor escala, podemos encontrar algumas espécies exóticas, nomeadamente carvalho-americano, faia, cedro, tília, entre outras. Por outro lado, os seus jardins renascentistas abrigam espécies arbóreas menos comuns, como a melaleuca, vulgarmente designada por “árvore do papel”.

Para além das espécies botânicas, também se pode observar a presença de ouriços-cacheiros, várias aves (por exemplo, pica-pau e melro), répteis e insetos, bem como esquilos. Os pavões são os principais “hóspedes” da Mata, amplamente conhecidos pelas suas cores, sonoridades e majestosidade.

 

A reabilitação

Estamos a reabilitar a Mata do Fontelo! A preservação, valorização, sustentabilidade e promoção deste pulmão verde de Viseu é para nós uma prioridade. Este é um projeto municipal que conta com a colaboração da UTAD, ESAV e QUERCUS.

Sabia que?

» A Mata do Fontelo foi dividida em 8 talhões;

» Foram avaliadas 7.422 árvores e todas elas georreferenciadas e numeradas;

» Para cada árvore foi criado um “bilhete de identidade” com 27 parâmetros;

» Para esta intervenção foram definidas prioridades de atuação, não esquecendo a preservação da fauna e flora existentes;

» Foram identificadas 37 espécies. As mais representativas são a Quercus róbur (Carvalho, 1850), Laurus nobilis (Louro, 1614) e Arbutus unedo (Medronheiro, 1315).

 

Questões frequentes

Porque é que só devemos circular nos caminhos?

A Mata é constituída por vários talhões, dentro dos quais há toda uma biodiversidade que devemos preservar e salvaguardar, interferindo o menos possível no seu desenvolvimento natural.

Porque é que existem árvores caídas nos talhões?

As árvores e ramos caídos foram deixados com o objetivo de criar refúgio para os animais e promover o desenvolvimento da biodiversidade. Desta forma, podem também continuar a ser alvo de estudos.

 

Irão ser plantadas novas árvores em substituição das árvores caídas?

Genericamente não. Privilegiamos a regeneração natural das espécies que, no caso, é suficiente para substituir as árvores que caíram.

A intervenção na Mata do Fontelo já terminou?

Este projeto de investigação, salvaguarda e valorização da Mata está ainda no início e as equipas continuam no terreno a desenvolver estudos que permitam uma reabilitação cuidada.

Porque é que nos dias de vento forte não posso circular na Mata?

Nos dias de vento forte existe maior probabilidade de queda de ramos, pelo que a circulação na Mata não é aconselhada.