d.1) Preparação da base de aplicação

Na preparação da superfície para receber o acabamento por pintura deve-se ter em consideração a existência e a natureza:

  • do acabamento estar fissurado e/ou destacado;

  • do acabamento ser antigo e estar aderente à base e/ou manchado devido à retenção de sujidades;

  • da base, por exemplo, ter sido recentemente reparada e ser fortemente alcalina e/ou porosa.

 

No caso de existência de pintura fissurada e/ou destacada, há necessidade de se proceder à sua eliminação recorrendo a uma decapagem manual (escovagem) ou por pulverização de água, consoante o estado dos rebocos antigos.

Quando o revestimento antigo se encontra aderente à base e/ou manchado devido, por exemplo, à retenção de sujidades, recomenda-se a lavagem com detergente neutro, ou com biocida, em zonas com fungos ou líquenes, seguida de lavagem com água. Se o revestimento se apresentar muito liso e/ou brilhante e aconselhável uma ligeira lixagem de modo a criar rugosidades que facilitem a aderência do novo acabamento

No caso de superfícies recentemente reparadas (por ex., rebocadas) e fortemente alcalinas deve-se aplicar um primário anti-alcalino. Se a superfície é porosa e apresentar áreas de absorção acentuadas e não uniformes é possível usar um selante. Chama-se no entanto a atenção para o facto de a selagem completa ser difícil e pouco desejável porque há sempre necessidade de deixar que as paredes "respirem".

 

d 2) Selecção do acabamento

Há uma grande variedade de acabamentos por pintura, aplicados em mono ou multicamada, que podem ser usadas, desde que satisfazendo os seguintes requisitos:

  • facilidade de aplicação;

  • boa aparência;

  • resistência á intempérie;

  • impermeabilidade à água e com moderada permeabilidade ao vapor de água.

 

Referem-se em seguida as principais características dos tipos de pintura mais correntes também na reabilitação:

  • Tintas plásticas: são tintas aquosas de emulsão ou de dispersão de copolímeros vinílicos, acrílicos ou de estireno-butadieno modificados. Estas tintas dão origem a acabamentos lisos, que aderem praticamente a todo o tipo de substrato. Neste grupo as tintas acrílicas são as que apresentam maior durabilidade, são as mais correntes e de maior consonância com as pinturas tradicionais do Centro Histórico.

  • Tintas texturadas: são tintas que podem dar origem a acabamentos com espessuras até 3 mm que permitem disfarçar as irregularidades das bases, podendo durar até 10 anos quando bem formuladas. O inconveniente da sua utilização é serem rugosas, possibilitando a retenção de sujidades e poderem ser pouco permeáveis ao vapor de água. Actualmente surgiram tintas deste tipo designadas por auto-laváveis. No entanto esta propriedade só funciona plenamente em zonas batidas pelas chuvas. Ainda não é bem dominado o envelhecimento desta pintura, nomeadamente quanto às implicações quando se tenha de proceder, passado algum tempo, a uma repintura, o que pode ser muito frequente por estar dependente de pequenas anomalias da alvenaria e do próprio revestimento de argamassa, uma vez que se manifeste uma causa que tenha associada, como patologia, um destaque pontual da película espessa da tinta não reparável por tinta idêntica.

  • Tintas não aquosas de borracha clorada, acrílicas, de poliuretano: são, em geral, tintas mais sofisticadas que requerem mais cuidados na aplicação e apresentam elevada resistência aos alcalis e à intempérie, contudo requerem que a pressão hídrica se faça sempre no sentido da tinta contra a parede e não no sentido oposto, ainda que nos melhores casos sejam permeáveis ao vapor de água.

 

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