- as propostas em que esteja prevista a utilização de produtos não tradicionais de construção devem fazer-se acompanhar dos respectivos Documentos de Homologação a eles relativos, emitidos pelo LNEC ao abrigo do art.º 172 do RGEU, cobrindo os usos previstos, ou complementados por pareceres emitidos por uma entidade oficial, que atestem a possibilidade da sua utilização para os fins em vista. Na eventual falta de homologação de alguns dos tipos de produtos, poderão ser aceites apenas os pareceres acabados de referir. As soluções não tradicionais não devem implicar técnicas e trabalhos muito intrusivos, devem ter reduzido impacto nos elementos próximos e devem ter elevada reversibilidade. A não tradicionalidade destes produtos, aliada à especificidade das obras visadas pelo presente Guia, tornam, por outro lado, necessário que os respectivos fabricantes preparem instruções específicas para esta utilização e acompanhem regularmente a execução da obra.

 

b) Princípios gerais de reparação dos rebocos

A reparação dos paramentos rebocados começa sempre pela extracção total ou parcial do reboco antigo degradado e também da espessura do suporte que se encontre significativamente degradada.

Nas soluções de substituição dos revestimentos exteriores antigos à base de argamassas distinguem-se dois grandes grupos: (i) o dos revestimentos dessolidarizados do suporte, designados por revestimentos independentes, e (ii) o dos revestimentos aderentes ao suporte.

Ambos os grupos admitem soluções tradicionais e não tradicionais, além disso:

(i) Os revestimentos independentes serão obrigatoriamente armados com uma rede de metal distendido metalizada.

(ii) Os revestimentos aderentes podem ser executados em versão armada ou não armada.

Nalguns paramentos estas duas versões dos revestimentos aderentes (armada e não armada) poderão ter que coexistir. Nas pequenas e médias reparações destas argamassas devem aplicar-se apenas soluções aderentes eventualmente armadas.

 

A solução não armada e aderente é a adequada para as zonas correntes das paredes. A solução armada será necessária designadamente nas zonas dos paramentos onde se prevejam dificuldades localizadas de aderência do novo revestimento ao suporte, onde existam fendas não estabilizadas do suporte, ou onde seja particularmente provável a ulterior formação de fendas - por exemplo ao longo dos ângulos dos vãos e na transição entre materiais de suporte diferentes. Os revestimentos independentes são, por sua vez, imprescindíveis naqueles casos em que seja improvável a obtenção, com carácter generalizado, de boa aderência do novo revestimento ao suporte, ou em que seja desaconselhável o contacto do revestimento com o suporte, quer pelo estado de degradação deste, quer para resolver problemas de incompatibilidade (física ou química). As soluções independentes são adequadas para resolver com barreira de caixa-de-ar o aparecimento de eflorescências salinas nos rebocos oriundas de sais existentes nas alvenarias (nas pedras ou nas argamassas). Contudo podem também aplicar-se outras soluções de barreira física pela criação de película resultante da reacção de produtos químicos com os sais criando uma película impermeável.

Os revestimentos independentes são mais susceptíveis à deterioração por acção dos choques mecânicos do que os revestimentos aderentes, pelo que não devem ser utilizados nas zonas dos paramentos particularmente sujeitos àquelas acções, como é o caso dos socos dos edifícios.

As soluções de reparação que se apresentam partem do pressuposto de que o aspecto final pretendido para as paredes reparadas será equivalente ao que resulta de um reboco liso pintado com tinta de água. Este pressuposto condiciona largamente a tipologia das camadas de acabamento que podem ser preconizadas para o novo revestimento. Todas as soluções apresentadas estão, então, pensadas para serem acabadas por pintura, com excepção daquelas que recorrem a produtos já pigmentados. Mas, mesmo estes produtos, podem ser subsequentemente pintados se se pretender obter cores diferentes daquelas em que são comercializadas.

Refira-se ainda que as soluções de reparação poderão ser melhoradas do ponto de vista da durabilidade se a pintura for substituída pela aplicação de produtos mais espessos e duráveis ou se as superfícies dos novos revestimentos receberem tratamentos finais de superfície adequados (por exemplo, pela aplicação de hidrófobos e fungicidas).

 

Fig. 	9.63 Fig. 	9.64
Fig. 9.63 | Reboco com problemas que repele o barramento de cal mas a reparação de esboço com cimento também repele a tinta Fig. 9.64 | Na reabilitação mais recente foram recolocados os revestimentos de argamassas, com vantagens diversas

 

 

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