De facto, a aplicação tradicional de telha simples (telha lusa), sem encaixe, dos tipos referidos, apresenta hoje alguns problemas quanto à durabilidade da solução, atendendo a que, geralmente, esse revestimento foi aplicado sobre estruturas de madeira antigas, adaptando-se bem às deformações geométricas que estas estruturas sofrem e que também se verificam no Centro Histórico. Em edifícios de especial valor pode e deve encarar-se a reposição das telhas antigas em falta por outras idênticas ou similares, mas com todos os cuidados de fixação, nomeadamente de fixação das telhas às estruturas e das telhas umas às outras, o que é dispendioso. Telhas antigas planas (ou também designadas de tipo “Marselha”), modelos que hoje dificilmente se encontram exactamente iguais para bom encaixe, levam a substituições totais, que em princípio seriam desnecessárias. Nos edifícios correntes poderá recorrer-se, sempre que a substituição tenha que ser ampla, à aplicação de telhas de encaixe de canal e canudo, ou de aba e canudo, conseguindo assim uma imagem o mais similar possível à que dão as telhas simples.
Importa, por isso, resolver de forma integrada este problema o que aconselha que sejam consideradas as seguintes medidas sequenciais:
- Reparação e reforço das estruturas de madeira da cobertura em que os novos elementos de madeira devem ser seleccionados e tratados de acordo com o especificado em 9.3). Em situações de degradação generalizada destas estruturas, ou seja, quando a deterioração das madeiras se estende ás asnas, madres, varas e ripas, a substituição integral é a solução aconselhada, devendo para o efeito ser elaborado o respectivo projecto.
- Aplicação, sobre a estrutura inicial desde que não deformável ou reconstruída com esta qualidade, de um
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| Fig. 9.56 | Nos edifícios correntes poderá recorrer-se, sempre que a substituição tenha que ser ampla, à aplicação de telhas de encaixe de canal e canudo, ou de aba e canudo | Fig. 9.55 | Preservação da imagem inicial à vista com reparação de forro de réguas madeira |
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forro de finas placas de betão ou de outro material que possa constituir uma base plana, leve e pouco deformável para a colocação das telhas. A solução mais corrente quando se quer preservar a imagem inicial à vista é a reparação ou reabilitação de forro de réguas madeira ou a construção de um novo de placas de madeira. Uma solução possível baseia-se na pregagem de rede de metal distendido, desejavelmente metalizada, seguida da aplicação de uma camada de argamassa com cerca de 50 mm de espessura e impermeabilizada. É também aceitável a colocação de placas onduladas à base de emulsão betuminosa e fibras com geometria adequada à das telhas simples, ou de encaixe de canal e canudo, especialmente quando se conserva a estrutura de madeira antiga e se prevê que prossigam as cedências.
- Na aplicação do revestimento de telha deve procurar-se minimizar a eventual ocorrência de condensações sob as telhas, e a penetração de água das chuvas devido a ventos ou quebras pontuais do revestimento; recomenda-se para tal a aplicação de telhas de ventilação próximo dos beirais e da cumeeira e a colocação de tela ou camada impermeabilizante sobre o forro referido em (ii).
- Os elementos emergentes da cobertura obrigam à consideração de determinados cuidados nas zonas de ligação, que não devem ser resolvidas à custa de camadas de argamassa, mas sim à base de chapas metálicas não oxidáveis, aplicadas de diferente modo consoante as duas direcções principais dos planos verticais emergentes nos telhados, a seguir descritas:

