Quando se procede à remoção integral de alguns vigamentos do pavimento, as novas vigas de substituição podem apoiar directamente nas aberturas deixadas nas paredes de alvenaria pela remoção das existentes em estado deteriorado (caso os rasgos se encontrem em condições para tal). Não obstante, as maiores solidarizações dos pavimentos são atingidas não só por uma boa entrega desse vigamento nas paredes principais (e secundárias), como também pela existência de peças metálicas de encastramento – ferrolhos de ligação, com capacidade para resistir a esforços de tracção ou compressão perpendiculares às paredes e tangenciais no plano horizontal.

 

Fig. 	9.45
Fig. 9.45 | Rigidificação do pavimento de madeira interligado a parede resistente, por colocação de lâmina argamassada armada, acima do pavimento, encastrada em viga de cintagem embebida na alvenaria (adaptado de [14]):

 

 

Caso estes ferrolhos já existam nas zonas de ligação, poderão estes ser reaproveitados mediante tratamentos e protecções adequadas (e.g., contra a corrosão, pinturas com duas de mãos sobre primário) [2]. Contudo, não se prevêem que estas ligações metálicas abundem nos edifícios do Centro Histórico, sobretudo nos estruturalmente mais “sofríveis”. A decisão da sua inserção (ou não) dependerá de vários critérios e factores, nomeadamente se trata de uma ligação entre parede e vigamento novo ou existente.

Se não houver lugar a substituição de viga, aqueles ferrolhos podem ser introduzidos pelo exterior da alvenaria, em que o seu chumbamento fica também garantido pela execução de uma viga de bordadura em betão armado, semi-saliente no paramento da parede [vd. Fig. 9.37 b)]. Obviamente que se trata de uma solução sempre discutível, motivada pela introdução do betão armado, tanto mais na sua forma construtiva à vista de elemento novo a interligar a alvenaria de granito existente. O aspecto estético final deverá ser ponderado quanto à sua integração, por exemplo, numa fachada principal, optando-se ou não pelo seu encobrimento total ou num rearranjo arquitectónico integrado.

Ainda que algumas estruturas de pavimento tenham evidenciado um bom estado geral de conservação, por vezes poderá ser necessário dotá-los com outras capacidades de resistência / deformabilidade (por ligeiras alterações de uso) ou exigências de ordem funcional (por razões acústicas, segurança conta incêndios, etc.). Tal facto pode ser conjugado com o provável interesse de constituir o pavimento final com comportamento de diafragma distribuidor de esforços, por aplicação de uma lâmina de argamassa armada, relativamente fina, sobre a estrutura existente em madeira [vd. Fig. 9.38]. A conexão à parede de resistente vem também, desse modo, reforçada com a inserção de uma vida de cintagem embebida na alvenaria, para uma entrega adequada da malha de armadura daquele revestimento superior em betão. Representa uma técnica bastante intrusiva, que não prescinde da verificação da segurança da estrutura antiga de madeira inerente ao seu aumento de densidade. No entanto, poderá constituir uma solução bastante útil nas situações acima frisadas, como também servindo para compartimentação específica, e.g., instalações sanitárias e cozinhas.

 

Fig. 	9.46
Fig. 9.46 | Esquema de reforço dos pavimentos com vigas metálicas (adaptado de [11]):

 

 

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