O primeiro caso corresponde a técnicas que podem ser executadas sem exigência de cuidados especiais; ao passo que o segundo implica a utilização de escoramentos antes de se proceder à aplicação dos reforços, de forma a instalar uma contra-flecha homóloga à deformação instalada na estrutura. Esta última situação não será recomendável para estruturas de madeira que assentam em paredes estruturais, sobretudo, de fraca qualidade construtiva, uma vez que provocará inevitavelmente estragos nas zonas de entrega nas paredes para encastramento dos vigamentos ou que se realizem cortes prévios dessas paredes [2, 9, 10].
A aplicação de reforço activo com escoramento ficará, deste modo, restringida às reabilitações de edifícios que, não prescindindo das devidas operações de reforço ao nível dos pavimentos / coberturas, necessitam apenas de uma intervenção “ligeira” sobre as paredes que edificam o edifício em causa.
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| Fig. 9.35 | Exemplo de reforços com aumento das secções das peças estruturais com justaposição de elementos de madeira e metálicos (extraído [14]) | Fig. 9.36 | Reforço de elemento de viga em madeira com laminados CFRP (adaptado de [14, 21]) |
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Ao contrário do que se sucede nas estruturas das paredes resistentes, nas de pavimento em madeira é maior a aplicabilidade de materiais compósitos para reforço global e/ou local de um elemento de madeira, cujo objectivo principal desta área é o aumento da resistência à flexão das estruturas dos pavimentos e/ou coberturas. A preferência entre os materiais FRP vai claramente para os de CFRP, que garantem, por diversos factores, uma boa alternativa às chapas metálicas no reforço externo das peças, dos quais se destacam como mais valias as seguintes vantagens: leveza (25 % do aço), ausência de corrosão, facilidade de aplicação em espaços confinados e com menores meios de transporte e instalação, menores custos de mão-de-obra, possibilidade de ajustar a rigidez em função dos requisitos, boa capacidade de deformação, produtos ilimitados em geometria e dimensão [16].
Exemplos disso mesmo [vd. Fig. 9.29], na área do reforço, é a aplicação de mantas, folhas, laminados pré-tensionados (ou não), fitas e cabos de pré-esforço externos. Estes podem diferenciar-se em dois sistemas: pré-fabricado e de cura in situ. Aos primeiros correspondem as lâminas ou laminados de reforço unidireccional e aos segundos referem-se as mantas ou tecidos que podem ser pré-impregnado com uma resina. Consoante o sistema usado, a adesão às peças a reforçar é realizada por colagem, aplicando em geral resinas epoxídicas, ou por infusão de resina a vácuo ou por impregnação húmida [16].
Tanto nos casos de reparação, substituição ou reconstituição, como de reforço, importa não esquecer o cuidado a ter com as ligações entre elementos de madeira ou de outra natureza, bem como nas ligações a outros elementos estruturais, nomeadamente às paredes resistentes [2, 3, 4, 9, 11]. Uma boa parte destes reforços devem ser materializados com peças metálicas de interligação, complementadas sempre que necessário com sistemas de pregagem ou “rebitagem”. Estes elementos de ligação e as chapas metálicas devem ser protegidas contra a corrosão. Como se verá mais à frente, neste âmbito, os cuidados devem permanecer nas ligações às paredes, por aplicação de varões, ferrolhos, barras de ferro pregadas à linha dos vigamentos e chumbadas em paredes, frechais, ou vigas de coroamento.



