Porém ambas as soluções apresentam as suas limitações, de ordem técnica, construtiva / estrutural, arquitectónica, de custos, etc. Embora a primeira solução seja mais prática e de corrente execução, será sempre imprescindível avaliar o estado, a disponibilidade de espaço e a capacidade de resistência e rigidez dos pontos de apoio para as referidas vigas intermédias. Sabendo-se de antemão que grande parte destas zonas colide com as paredes resistentes, torna-se crucial o bom desempenho das mesmas nas zonas de entrega e chumbamento das vigas aditadas à estrutura do pavimento.

De todo modo, desaconselha-se, pelo sobrecarregamento pontual, a aplicação deste tipo de reforço em edifícios com paredes de alvenaria “sofríveis” ou com paredes contendo elementos de madeira, excepto se as zonas de apoio nas paredes forem devidamente consolidadas e reforçadas. Poderá ainda constituir excepção caso aqueles pontos de suporte sejam executados de raiz pela adição de novos elementos, embebidos ou à face interna das paredes, por exemplo na lógica da introdução de elementos de betão armado nas estruturas das paredes resistentes, embora seja sempre discutível esta operação “reabilitadora”.

Na segunda solução por pré-esforço, o maior inconveniente estrutural, vem traduzido pela dificuldade de amarração das ancoragens aos vigamentos a reforçar, sempre sob ponderação e avaliação da capacidade resistente dos pontos “preferidos”: aos topos ou às faces inferiores das vigas. O(s) ponto(s) de desvio são também zonas sensíveis, até pelo aumento significativo da altura final do pavimento nessas zonas centrais. Os custos da aplicação desta técnica especializada farão parte seguramente dos critérios decisórios à sua selecção em projecto / obra.

Para além disso, ambas as soluções acarretam desvantagens de cariz construtivo e arquitectónico, podendo chegar ao ponto de inviabilizar a sua implementação, nomeadamente as relacionadas com a falta de espaço nas zonas de apoio, os pés direitos por vezes exíguos, interferências com aberturas de vãos existentes (portas e janelas) e com a própria organização das estruturas das paredes envolventes e espacial / interna da compartimentação. Casos os pés direitos úteis sejam significativos poderá dar-se sempre o rebaixamento do tecto mediante aplicação de tectos falsos, ocultando assim estas vigas de reforço, pese embora acabarem nalguns casos por, certamente, também encobrirem elementos decorativos manifestados nos tectos dos pavimentos de outrora.

 

f) Reforço da capacidade de resistente com novos vigamentos

(vigas adicionais de reforço de madeira ou outras)

Para solucionar as anomalias decorrentes do excesso de carregamento – deformabilidade, a colocação de novos vigamentos para o reforço das estruturas dos pavimentos representa uma hipótese viável. Esta solução traduz-se, não só, pelo aumento da capacidade resistente do pavimento como também pelo importante incremento dos níveis de rigidez.

 

Fig. 	9.32
Fig. 9.32. a | Com novas vigas de madeira Fig. 9.32. b | Com chapas e aparafusamento metálico
Fig. 9.32 | Esquematização do reforço de resistência e rigidez de pavimentos de madeira (adaptado de [2, 14]):

 

 

Esta técnica de aplicação, corresponde à simples colocação de novas vigas de madeira [vd. Fig. 9.25 a)], dispostas paralelamente aos vigamentos existentes, de secção semelhante e com tipo de madeira em função das propriedades de resistência e de rigidez ajustadas ao novo nível de deformabilidade pretendido. Por razões construtivas e funcionais, a altura das novas vigas deverá ser igual às existentes, sendo a largura relacionada, também, com aquele índice referido, mas sobretudo inerente ao afastamento entre vigas, i.e., espaço disponível entre elas. Excepcionalmente, poderá recorrer-se a vigas de outra natureza, e.g., perfis de aço estrutural, aço leve galvanizado, etc. ou ainda por intermédio de vigas “artificiais” de lamelados colados, não obstante da necessária verificação das ligações e garantia da compatibilidade com o existente.

 

Fig. 	9.33 a Fig. 	9.33 b
Fig. 9.33 | Exemplo de reparação e reforço de pavimento com novos vigamentos “artificias” (extraído de [14]):

 

 

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