Convém salientar de novo que a utilização de argamassas cimentícias ou sintéticas, sem a preparação adequada para assegurar a compatibilidade de comportamento entre os materiais tão distintos, traduzir-se-á seguramente em anomalias futuras, tornando inviável este tipo de intervenção nas paredes antigas de alvenaria. Problemas como a respiração dos paramentos, as diferenças de rigidez e o sentido da irreversibilidade colocam bastantes reservas sobre esta técnica quanto à sua aplicação sem recurso a materiais seleccionados e mão-de-obra e equipamento especializados. Faz-se notar que sempre que as redes metálicas sejam preteridas em relação às sintéticas em fibra de vidro, (com ou sem fibras curtas a abranger zonas mais amplas) será imprescindível protecção anti-alcalina nessa armadura, que contrarie o ataque dos álcalis do cimento constituinte do reboco ou do betão [11].
No entanto, em função da sua possível integração nas paredes do edifício em causa, esta solução de reforço apresenta claras mais-valias, nomeadamente no que concerne à melhoria da capacidade de resistência, deformabilidade – ductilidade sob solicitações perpendiculares ao plano. Sob acções cíclicas, no plano e transversais, análises experimentais têm igualmente mostrado bons desempenhos das alvenarias, cujos resultados indicam valores de resistência ao corte no plano superiores a 200 %, com momento resistente da secção três vezes superior [15].
h) Reforço com materiais compósitos FRP’s (Fiber Reinforced Polymer)
Nesta área têm sido utilizados sobretudo elementos GFRP de carácter unidimensional, como por exemplo barras, varões, fibras e cabos de pré-esforço na reparação e no reforço de estruturas de alvenaria, como forma de substituição dos habituais componentes metálicos, tais como os citados anteriormente. Em situações mais pontuais e de maior especificidade têm sido, também, aplicadas mantas e faixas laminadas de CFRP, com fibras orientadas em duas ou mais direcções, no exterior de alvenarias ou, essencialmente, de pilares, cunhais ou outros elementos singulares. A boa interligação entre estas mantas planas e a superfície previamente tratada da alvenaria existente – e.g., colagem adesiva epoxídica, será essencial para assegurar uma adequada aderência na interface, mobilizar um confinamento, por exemplo, nas situações de abaulamento, conferindo aos elementos reforçados um melhor comportamento aos esforços de tracção e compressão.
Embora se trate de uma aplicação desenvolvida na construção civil a partir da década de 90, a sua utilização tem-se revelado bastante promissora, pese embora se desconhecer com alguma profundidade o seu comportamento a longo prazo, em virtude do ainda curto período de vida útil das aplicações, quer em estruturas novas quer no âmbito da reabilitação de edifícios antigos [16].
No actual contexto, os compósitos em questão apresentam boa resistência mecânica, ligeiramente superior à do aço, em que a resistência à corrosão e a meios agressivos lhes confere um maior grau de confiança aplicativa. No entanto, quando não “preparados” devidamente, a fraca resistência ao fogo e aos raios UV coloca-os em soluções menos apetecíveis, quando comparados com os materiais tradicionais, para além do seu custo inicial e tão característico comportamento frágil (na rotura). Outra desvantagem da sua aplicação em alvenarias de pedra, não muito díspar com o que sucede com os materiais correntes, tem a ver com a qualidade de execução dos trabalhos, que não sendo alvo de um controlo rigoroso poderá revelar-se num solução ineficaz, motivada pela aderência mal conseguida entre o compósito e a superfície de suporte.