De forma a garantir que o reboco ou betão armado participe no reforço da parede e para melhorar a aderência à superfície de contacto será aconselhável a pregagem da armadura, se possível com elementos atravessantes – ancoragens ou conectores transversais [vd. Fig. 9.13], no mínimo com um comprimento igual a 50 % da espessura da parede, ligeiramente inclinados para boa selagem. Além disso, a inserção destes elementos, e.g. a meia altura das fiadas das malhas, confere maiores índices de ductilidade à parede, aumentando a sua capacidade para dissipação energia [11].
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| Fig. 9.20 | Exemplo da reparação de uma fenda com a técnica de recobo armado (adaptado de [21]) | ||
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As argamassas serão tradicionalmente de base cimentícia ou sintéticas, sendo o betão dotado de propriedades e características mecânicas reconhecidas dos betões. Ambos podem ser aplicados por processos manuais ou projectados [vd. Fig. 9.14] sobre a superfície alvo, podendo ser, neste último caso, por via húmida ou seca. Enquanto na via húmida a projecção é aplicada com todos os materiais constituintes misturados previamente, por via seca o procedimento é tratado em separado, primeiro pela mistura dos agregados sólidos sendo depois introduzida a água através de um sistema independente e paralelo, na saída do tubo de projecção.
A aplicabilidade prática desta solução em paredes de alvenaria significa muitas vezes alterações arquitectónicas nos paramentos visíveis, implicando o recobrimento dessas superfícies. Outras dificuldades acrescem aquando da impossibilidade de execução do reforço, sobretudo pelo lado exterior da parede, perante a falta de espaço para criar uma sobreposição da mesma sem afectar a imagem estética do edifício. Neste sentido, deverão ser adoptados alguns procedimentos que minimizem, pelo menos, os impactos gerados ou reduzam as dificuldades inerentes, não obstante a sempre desejável homogeneidade e simetria do reforço das paredes de alvenaria. Um exemplo será a aplicação de recobo superficial no paramento exterior, com características mecânicas semelhantes à alvenaria existente, “compensado” pela execução de uma camada de betão armado no lado interno, com aumento significativo da espessura. No fundo, estes casos práticos tornam-se mais complexos quando as paredes exteriores são ornamentadas com cantaria (e.g., guarnição de vãos), quase sempre mais salientes relativamente as zonas correntes das paredes. Perante tal facto, é sugerido na literatura especializada a necessidade de aprofundar a zona saneada, removendo o reboco em alguns centímetros, a argamassa de ligação e as pedras miúdas superficiais, no caso expectável de se tratar de alvenarias de pedra irregular.
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| Fig. 9.21. a | Malha de armadura em varão | Fig. 9.21. b | Projecção de betão | |
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| Fig. 9.21 | Reforço de alvenarias com lâmina de betão projectado (extraído de [13]): | ||



