Em casos particulares pode justificar-se o recurso a produtos químicos no fabrico das argamassas, nomeadamente os de base resinosa – epoxídica ou acrílica, tendo vindo a ser usados favoravelmente. Embora o custo destas últimas não restrinja, actualmente, a sua aplicação, existe a possibilidade de ocorrem efeitos secundários prejudiciais ao comportamento a longo prazo da alvenaria. Qualquer dos produtos indicados deve necessariamente possuir as seguintes características: ser facilmente injectável e possuir fluidez à penetração; possuir estabilidade a longo prazo; ter retracção reduzida ou mesmo ser ligeiramente expansível. Quanto à pressão de injecção, esta estará condicionada pelas profundidades a atingir, mas sobretudo pelo grau de deterioração das paredes, visto que em paredes muito pouco coesas pressões excessivamente elevadas podem provocar a sua desagregação pelo efeito da pressão hidrostática [4].

 

Fig. 	9.14
Fig. 9.14. a | Disposição dos furos para selagem das fendas Fig. 9.14. b | Colocação dos tubos de injecção
Fig. 9.14 | Reparação e consolidação por injecção simples de fendas, sem grampeamento (adaoptado de [21])

 

 

Conforme referido por Aguiar et al. [4], antes de se proceder à injecção há que preparar as paredes, colmatando as fendas e as juntas abertas à superfície dos paramentos, de forma a evitar a fuga do produto de injecção. Os revestimentos mal aderentes à alvenaria devem ser extraídos, pois se tal não for efectuado eles serão expulsos, durante a injecção sob pressão. Devem ainda ser deixados nos paramentos os orifícios necessários à injecção com um espaçamento regular na ordem de grandeza da espessura da parede. Os furos para a injecção do material de protecção contra a humidade deverão ter um diâmetro de 10 a 12 mm e serem executados com eixo sensivelmente horizontal. Às características da furação associam-se as da parede, e.g., constituição e espessura, e deverão atingir aproximadamente 2/3 da espessura da parede. A injecção deve processar-se de baixo para cima sendo o controle de preenchimento feito pelo aparecimento do produto injectado nos orifícios acima daquele a onde se procederá a injecção. A injecção deverá ser feita até que a parede se encontre em estado saturado, i.e., quando na face oposta à injecção começar a fluir a calda injectada [9].

Nas injecções próximas das fundações, deverá efectuar-se um controlo rigoroso das quantidades da calda a injectar, de forma a evitar a propensão para a passagem do produto injectado para o terreno, detectando também eventuais situações de fuga do material ligante.

 

d) Inserção de elementos de outra natureza – peças metálicas leves

De forma a reforçar a consolidação das alvenaria “médias” a “más” (ocasionalmente), as técnicas anteriores podem ser complementadas pela inserção de peças metálicas leves, a serem perfeitamente solidarizadas à estrutura original, recorrendo-se, para esse efeito, à colagem, ao chumbamento de ferrolhos, inserção de peças laminadas ou à utilização de buchas auto-expansivas. As fissuras ou mesmo fendas com aberturas mais ou menos relevantes podem também ser gateadas com grampos de aço, devendo garantir-se o seu atravessamento integral e, sempre que possível, a interligação de ambas as faces da alvenaria [vd. Fig. 9.8]. Esta técnica, mais enquadrável no âmbito do reforço, tem por finalidade assegurar a transmissão das forças de corte nas zonas de conexão, evitando concentrações de tensão demasiado elevadas, podendo ainda mobilizar-se compressões transversais que melhorem a transmissão das forças por atrito.

 

Fig. 	9.15
Fig. 9.15 | Reparação de fendas injectadas, recorrendo a gateamento, grampos e tirantes (adaptado de [2]):

 

 

19