Segundo Appleton [2], o recalçamento das fundações surge quando se torna inviável o reforço lateral das fundações, por enchimento de betão pregado, ou quando se constata capacidade insuficiente do terreno de fundação. Nesse contexto, as vigas de encabeçamento dispostas transversalmente sob as fundações deficitárias [vd. Fig. 9.3] podem ser complementadas com a execução de estacas ou microestacas (em betão, metálicas ou em material FRP), de forma a atingirem-se em profundidade bases rochosas de assentamento mais estabilizantes – passando-se à situação de fundações indirectas. Tendo em conta que as vibrações são sempre indesejáveis em qualquer operação de intervenção reabilitadora, aquele autor sugere a aplicação de estacas moldadas, de betão ou de aço, colocadas em furações previamente executadas.

Uma vez que os edifícios a intervir se localizam em malha urbana consolidada, não dispondo de espaço livre nas proximidades das fundações, a execução de microestacas atravessantes nas próprias fundações pode constituir uma solução viável quando se reveja a necessidade de procurar maciços rochosos com melhores características de resistência e de deformabilidade. No entanto, julga-se de reduzida aplicabilidade estas técnicas no edificado do Centro Histórico, pela constituição/disposição do maciço granítico que se presume dar garantias de bons assentamentos realizáveis de modo superficial. Independentemente das dúvidas que possam suscitar na análise de selecção da solução a aplicar, devem sempre preceder a qualquer estudo inicial as campanhas de prospecção geológica. A sua realização poderá sair, ainda, mais motivada pela expectável presença mais ou menos importante de níveis freáticos elevados nos solos superficiais e/ou de bolsas de acumulação de águas infiltradas nos maciços rochosos, cujos sinais de humidificação ao nível da construção infraestrutural não devem ser menosprezados ou, simplesmente, ocultados.

 

Fig. 	9.10
Fig. 9.10 | Recalçamento de fundação com vigas de encabeçamento (se necessário com execução de estacas), com ou sem consolidação prévia da fundação existente (adaptado de [2, 13])

 

 

Sob aquela última razão, torna-se fundamental identificar a origem da presença de águas ou de humidades, muitas das vezes responsável pelo fenómeno de capilaridade ascensional que atinge os vários elementos construtivos. Os seus efeitos nefastos reflectem-se nos vários elementos de alvenaria ou pavimentos térreos, acabando por propiciar os fluxos migratórios para os espaços internos. Um sistema de drenagem das águas infiltradas e acumuladas junto das paredes dos edifícios permitirá minimizar a susceptibilidade de ocorrência do fenómeno, mediante a abertura de valas à cota da fundação e colocando filtros de um material arenoso mais permeável do que o terreno existente. A captação da água realiza-se por intermédio de tubos drenantes, por exemplo, de betão perfurado, sendo conduzida para fora do perímetro da construção. As correntes telas impermeabilizantes, pinturas com emulsões betuminosas, podem também ser aplicadas até uma altura de pelo menos 0,30 m acima do nível do terreno [9]. No entanto, tal como em algumas técnicas anteriores, a execução destes procedimentos requer disponibilidade de terreno livre nas imediações das construções, tornando-se inexequível no edificado interligado nos quarteirões, ao contrário dos edifícios de gaveto e no contorno das bandas construtivas. Além disso, devem ser aplicadas mantas impermeáveis horizontais, abaixo da cota inferior do pavimento do edifício, que previna a ascensão da humidade do solo, uma vez que aquelas técnicas não garantem que a humidade não entre em contacto com a base das fundações / face inferior das paredes de alvenaria das fundações.

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