8.2 | Conceitos, Princípios e Objectivos

 

8.2.1 | Conceitos

 

8.2.1.1 | Espaço público para as pessoas: Acessibilidade, mobilidade, fluidez, transparência e normalização

 

Como princípios definidos para a política de intervenção no espaço público das áreas antigas das grandes urbes, pode-se referir a eliminação de barreiras arquitectónicas e de barreiras visuais, a utilização de materiais neutros, reflectivos ou transparentes, a limitação ou condicionamento da circulação automóvel no maior número possível de vias existentes, assim como a criação de novos circuitos pedonais, fazendo, sempre que possível, ligações às vias principais.
Estes princípios permitirão que partindo de um desenho de um modelo de intervenção de rua, se repita, adaptando-se em tipologias pré definidas, sem que seja necessário diferenciar, caso a caso, vias pedonais, vias de circulação automóvel, rampas, iluminação, etc., possibilitando a sua aplicação generalizada – tipo, a todo o centro histórico, dando-lhes unidade formal, sem os descaracterizar.
A utilização das praças e largos dos centros históricos é feita por todo o tipo de pessoas, desde residentes a turistas, assim como um grande número de utilizadores oriundos de outras zonas da cidade que aqui se deslocam para aceder a serviços e empresas aqui localizadas.
Este facto leva a que os espaços públicos intervencionados devam ser concebidos de forma a oferecer ao utilizador um ambiente agradável, com vegetação e mobiliário público adequado ao espaço e às necessidades de todos, com uma iluminação nocturna eficaz que assegure um elevado nível de segurança.

 

 

8.2.1.2 | As Gramáticas do Espaço Público

 

Nos anos 60 começam a aparecer alguns estudos sobre a cidade, o homem e o espaço público, como o de Kevin Lynch, “The Image of the City”6 em 1960, em 1961 Gordon Cullen publica “Townscape”7, e em 1975 Rob Krier publica o livro “L'Espace de La Ville”8. Estes três livros, entre outros que se publicaram posteriormente, introduzem o estudo da morfologia urbana na imagem da cidade, desmontando-a nas suas partes e estruturas principais, identificando, comparando e analisando a cidade histórica com a cidade moderna, salientando o papel importante do espaço público que, depois de analisado é classificado, dando às sensações visuais que os espaços e os edifícios transmitem (percepção do espaço) um léxico gramatical, dando continuidade ao estudo iniciado por Camillo Sitte9, no século XIX, transpondo para o campo da arquitectura e do desenho urbano as bases da percepção e da antropologia do espaço e do comportamento humano, estudado por Edward T. Hall10.
Estas análises, juntamente com as experiências contemporâneas de reabilitação dos centros históricos peninsulares, da experiência de Barcelona à Expo 98, os programas das cidades capitais da cultura, e da nossa própria experiência de reabilitação, levam ao enunciar de regras programáticas e de métodos de intervenção.

 


6 LYNCH, Kevin “The Image of the City”, M.I.T. Press, Cambridge, 1960. Traduzido para português com o titulo “A Imagem da Cidade”, Edições 70, Lisboa, 1982.

7 CULLEN, Gordon “Townscape”, Architectural Press. London, 1961. Traduzido para português com o titulo “Paisagem Urbana”, Edições 70, 1996.

8 Tradução do original “Stadtraum in Theorie und Praxis”, Karl Kramer, Stuttgart 1975.

9 SITTE, Camillo “Construcción de ciudades según principios artísticos”, Viena, 1889, in George R. Collins y Christiane C. Collins, “Camillo Sitte y el nacimiento del urbanismo moderno”, Gustavo Gili, Barcelona, 1980. Existe uma versão em português, SITTE, Camillo “A Construção das Cidades Segundo seus Princípios Artísticos”, Ática, São Paulo, 1992.

10 Antropólogo norte-americano (1914-), que desenvolveu estudos sobre a percepção cultural do espaço e o comportamento humano no espaço público, elaborando uma teoria “Proxemic Theory”. Sobre o assunto veja-se, HALL, Edward T. , ”The Hidden Dimension” Bantam Doubleday Dell Publishing Group, 1990; HALL, Edward T. , ” The Silent Language”, Bantam Doubleday Dell Publishing Group, 1990.

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