8.4 | Resumo e Conclusões

 

Do estudo geral da área do Centro Histórico de Viseu, feita por uma análise das suas principais características estruturais mais significativas, determinaram-se as suas maiores potencialidades e os problemas existentes.
É necessário captar o cunho urbano, as dinâmicas de transformação, para se poder propor objectivos estratégicos, hipótese e soluções visando intervenções para a melhoria do espaço público.
Desta análise resultou um conjunto de propostas de intervenção no sentido de “contemporanizar” o Centro Histórico, enquadrando-o no espaço ideológico, e na imagem, das actuações recentes nas cidades médias Ibéricas, com centros históricos intervencionados.
As principais propostas abordadas resultam da necessidade de melhorar a acessibilidade ao Centro Histórico, propondo para isso de um conjunto de acções a desenvolver no tempo. Eliminar as barreiras arquitectónicas, limpar fachadas e regular vias e os seus pavimentos, cuidar da sinalética, arborizar e criar estacionamento alternativo ao actual, dar mais espaço aos peões e encontrar, ou apontar, para usos e vocações adequados a um espaço de grande qualidade urbana, histórica e arquitectónica, que se desenvolveu até ao século XX num casco de características históricas, de origem medieval, com todas as vantagens e também limitações de uma cidade feita á dimensão das pessoas.
Hoje com um acesso automóvel condicionado, e na ausência de um estudo sócio económico dos residentes que caracterize o tecido social que habita o Centro Histórico e as suas necessidades, do que foi possível verificar, não é mais zona de residência de classes abastadas ou ricas, mas sim de uma classe média-baixa, que lá trabalha ou reside. Existe um conjunto de pequeno comércio, de serviços, eventualmente um ou outro gabinete de advogado ou arquitecto, mas na generalidade o Centro Histórico de Viseu tem uma vocação turística e de lazer, assim como se trata ainda de uma zona residencial.
Devido a essas circunstâncias, nomeadamente pelo condicionamento de acessos, em termos de reutilização, o edificado só poderá ser ocupado por funções que não requeiram grandes fluxos de pessoas e veículos.
A construção de estacionamento alternativo ao actual, na forma de parque de estacionamento(s), libertando assim o espaço público para o uso preferencial das pessoas, residentes e turistas, permitirá a fixação de habitantes, o aumento de turistas, novas unidades hoteleiras, criação de emprego, a fixação de comércio e serviços de apoio.
Contudo, a zona imediatamente próxima do centro necessita de renovação e enquadramento, por se tratar, hoje, de uma barreira entre a cidade nova e a antiga. Como diz Mumford, a cidade histórica tem de alargar o cinto, não por necessidades de novas muralhas, ou para conter mais gente, mas sim porque a percepção visual do objecto histórico se alargou, perdendo-se a noção de fronteira e dificultando o acesso. A ligação do centro ao rio, uma das razões de existência da cidade (arrabalde), hoje reabilitado, mas desligado fisicamente, é uma outra prioridade.
Os espaços públicos históricos de Viseu existem quase idênticos à sua imagem dos inícios do século XX. O que se alterou foram as funções, usos, hábitos e utilizações, tendo sido por muito tempo remetidos para espaços residuais. Cabe agora dar-lhes novas funções que lhes preservem o espaço público físico, a arquitectura das edificações que o envolve, a memória colectiva, e que ao mesmo tempo transmitam cultura e sejam motores do desenvolvimento da cidade.

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