Dentro destes casos, o espaço definido pelo Largo Major Teles e pelo Jardim das Mães, assume um carácter importante, pois é o acesso “natural” do centro novo ao centro antigo. Teve várias intervenções no início do século22, a topografia demasiado irregular, que aliás caracteriza a maioria dos largos do Centro Histórico, dificulta uma utilização, assumindo-se mais como um cenário romântico, do que como um espaço verde de fruição urbana. Este espaço necessita de melhor articulação com a cota baixa inicial, enquanto continuidade de Jardim público.

 

Fig. 8.45

Fig. 8.45 | Vista do Rossio para o Largo Major Pessoa, entre1899 e1903

 

 

Em termos de conceito e proposta, pensa-se que todos estes pontos deverão ser requalificados com marcação em pavimento tipo, que configure o espaço e referencie a sua importância, chamando a atenção para o local, para o acesso e para a valorização dos enfiamentos visuais. Não se põe de lado a edificação nova ou a reabilitação do existente, que em alguns casos poderia simular a imagem do valor do antigo, recorrendo a materiais diferentes, marcando e repetindo uma imagem, ou facto urbano, que possa configurar estas novas entradas. Os eixos principais de acesso deverão ter uma intervenção prioritária de reabilitação do edificado, de maneira a dar uma coerência e dignidade formais de continuidade à imagem das ruas a eles associados.

 

 

8.3.4.1 | Linguagem Formal-Compositiva das Frentes Urbanas Reabilitadas ou Novas dos Edifícios

 

O processo de reabilitação de um centro histórico pressupõe construção, demolição, reconstrução, reutilização, adaptação, etc., de edifícios. Como regra geral, entende-se que qualquer intervenção no seu casco deve respeitar um conjunto de regras que a aceitação de um desenho mais conservador e de um desenho moderno, ambos têm de obedecer a regras compositivas e a métricas coerentes com a imagem ou a meta imagem das fachadas em geral do Centro Histórico de Viseu. Têm de se integrar no conjunto, e não sobressair.

 

 

8.3.5 | Monumentalização e Reutilização do Património Existente

 

Reconhecendo que existe já alguma monumentalização de edifícios significativos, por exemplo pela chamada de atenção através da iluminação nocturna, e alguns casos de reutilização de edifícios significativos, pela parte do estado, igreja e autarquia, existem ainda alguns edifícios e espaços cuja reutilização (mudança de função) melhorará a imagem do Centro Histórico, facilitará a sua reabilitação e introduzirá serviços mais adequados aos espaços hoje existentes.
Destes, destaca-se o grande conjunto da Prebenda, constituído pelos dois solares – palácios da Prebenda e seus jardins privados, assim como o actual Centro de Recrutamento Militar, Palácio dos Silveiras de Lamego, cuja função não justifica a actual ocupação de um Solar do século XVIII, hoje claramente vocacionado para uma unidade turística de qualidade, que irá fomentar o movimento da zona, nomeadamente nocturno.
Pela sua tipologia, localização, imagem e potencialidades de reformulação interior, o quarteirão definido pela zona das praças, D. Duarte, Adro da Sé, Largo da Misericórdia e Largo do Pintor Gata, deverá ser tratado em conjunto, reabilitando-o no contexto de um projecto geral, permitindo a manutenção das suas características específicas de forma e vãos, que de outra maneira não se conseguirão preservar. O edifício porticado, pelas suas características únicas de uma tipologia que deverá ter existido a uma outra escala, é hoje uma peça única e com grande impacto visual, a conservar, monumentalizando-o.

 

 


22 Construção de balaustrada, construção do murro de suporte de terras e introdução de painel de azulejos em 1931.

14