10.1 | Considerações Gerais

 

Neste capítulo pretende-se abordar as medidas preliminares ao desenvolvimento dos trabalhos de conservação e/ou reabilitação do Centro Histórico de Viseu, nas suas mais diversas especificidades, bem como os custos associados às obras desta natureza particular. Mostram-se as dificuldades e os condicionalismos inerentes ao planeamento, organização e orçamentação das obras de reabilitação, indissociáveis do estaleiro físico e humano que deve prevalecer numa gestão cuidada e atempada. Nesse sentido, apontam-se linhas orientadoras que podem assegurar uma redução dos impactos, a vários domínios, neste tipo de obras, face às obras de construção subjacentes a uma edificação de raiz. As actividades de reabilitação do património edificado do Centro Histórico enfrentam um conjunto de dificuldades que devem ser consideradas nas suas diversas especificidades, obedecendo à própria caracterização do núcleo urbano, ao grau de degradação das edificações e à tecnologia de intervenção. Deve atender-se, em primeiro lugar, ao facto de muitas obras terem de decorrer com os fogos ocupados pelos seus inquilinos, ao contrário do que seria desejável. Este facto, por si só, condiciona os vários recursos – humanos, materiais e equipamentos, além das técnicas ou processos reconstrutivos a adaptar, constituindo esta informação prévia uma matéria relevante, desde logo, a comunicar às equipas projectistas [1, 2, 3, 4, 10]. A variabilidade verificada sobre o estado de conservação dos imóveis, leva a concluir que cada situação representa, temporalmente, um caso específico sobre a maior ou menor urgência de intervenção. Se por um lado existem imóveis que não carecem de quaisquer tipos de contenções estruturais sob um fim reabilitador, por outro há os que urgem consolidações de elementos principais (e.g., paredes-mestras, empenas, pavimentos ou coberturas) ou mesmo, improrrogável e peremptoriamente, demolições de peças cuja instabilidade denunciadora incorre na segurança dos habitantes e demais transeuntes da via pública. As diversas tarefas que podem ser agrupadas na série de trabalhos preparatórios a realizar no âmbito das obras de conservação e/ou reabilitação deverão, sempre que possível, ser compatíveis com o nível de intervenção previsto para o edifício. No entanto, em certas situações, o carácter de emergência destas medidas implica uma actuação imediata, sobrepondo-se à normal e legítima execução preliminar de estudos e projectos.

2