10.4.4 | Orçamentação das Obras de Reabilitação / óptica de empreiteiro
A orçamentação na óptica do empreiteiro consiste essencialmente na preparação de um mapa orçamental, de maior rigor que as estimativas orçamentais precedentes, que serve a preparação de uma proposta pela qual traduza as condições, (sob o aspecto de preço), que um empreiteiro / construtor civil se propõe a executar uma dada obra pública ou particular [15].
No âmbito das obras de reabilitação essa orçamentação tem vindo a ser processada sob formas semelhantes às que têm sido adoptadas no caso das obras de construção, embora de maior complexidade inerente à especificidade das actividades reconstrutivas. Com base nas medições dos trabalhos previstos, são calculados para cada operação de reconstrução (OR) os custos dos recursos simples: mão-de-obra, materiais e equipamentos imprescindíveis para a execução completa da intervenção. Desse modo, os custos totais são apurados mediante a aplicação de métodos de composição de custos, recorrendo à identificação, quantificação e valorização dos “recursos” envolvidos em cada uma das tarefas a realizar. Actualmente, existe informação suficiente sobre estes parâmetros padronizados para as operações de construção correntes, nomeadamente as bases de dados existentes no mercado da construção, através de empresas no sector, os manuais “Informação Sobre Custos – Fichas de Rendimentos”, LNEC – Volume I e II [5, 6, 7, 8].
No que respeita às operações de conservação / reabilitação essa informação é escassa, pese embora os modelos que têm vindo a ser desenvolvidos nos últimos anos, no sentido de se processarem estruturas de custos associadas àquelas acções de intervenção [13, 14, 16]. Estas procuram congregar características comuns dos edifícios antigos de forma a serem avaliados de modo similar. A par de uma definição aprofundada e detalhada das metodologias construtivas a seleccionar neste tipo de obras, a direcção tem sido no sentido de agrupar tarefas interventivas tipo para a operacionalidade destas obras específicas, a fim de se particularizar uma determinada actividade reconstrutiva (OR) quanto aos seus recursos necessários, com informação dos rendimentos associados. Na prática, o resultado final desta informação tem preferência na forma documental de “Ficha” [vd. Quadro 10.9], como complemento às Fichas de Rendimentos do LNEC, no domínio da Conservação / Reabilitação. Pretende-se que estas suportem a apresentação de um orçamento, com pormenorização descritiva rigorosa, discriminação apoiada e consubstanciada em informações compiladas e anexadas num único documento [13]. A sua utilidade torna-se evidente na facilidade de orçamentação e será tão viável para a empresa que orçamenta os seus trabalhos, como para a entidade que avalia – adjudica as propostas “patentes a concurso”.
Deixa-se ao cuidado do leitor interessado o aprofundamento desta matéria na literatura especializada, quanto ao seu estado actual sob os recentes desenvolvimentos, que enquadram bases de dados de actividades tipo para Obras de Conservação / Reabilitação. Salienta-se que os estudos e trabalhos realizados neste âmbito têm contribuído, de certo modo, para o desejável estreitamento dos vários agentes envolvidos num sector fortemente multidisciplinar. Em particular, será sempre de destacar as acções participativas das empresas de construção especializadas em obras de reabilitação, pela sua informação recolhida, em experiência adquirida em obra. A geração, disponibilização e interligação dessa informação, nas mais diversas variantes, contribui para a necessária validação de importantes compilações de base à sustentada “orçamentação real” das Obras de Conservação / Reabilitação.
Quadro 10.9 – “Ficha” tipo para estruturas de custos associados a acções de conservação e reabilitação (extraído de [13])
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Legenda
(1) Número de identificação da ficha.
(2) Designação da operação de construção.
(3) Unidade de medição da operação de construção.
(4) Designação dos recursos afectos à operação de construção (materiais, mão-de-obra e equipamentos).
(5) Quantidades de recursos utilizados para execução de uma unidade de medição da operação de construção (rendimento).
(6) Unidades de medição do recurso (/unidade de medição da operação de construção).
(7) Custos unitários dos recursos (€/unidade de medição do recurso).
(8) Custos unitários dos recursos por unidade da operação (€/unidade de medição da operação de construção).
(9) Custo de fabrico (€/unidade de medição da operação de construção).
(10) Custo efectivo ou preço de venda ao público(P.V.P.) (€/unidade de medição da operação de construção).
(11) Incidência do custo total dos recursos (materiais, mão-de-obra e equipamentos)(%).
