10.3.4 | R.C.D. e Impacto Ambiental do Estaleiro no C.H. – Medidas Preventivas
À semelhança do que sucede nas obras de construção nova, toda a actividade laboral nos estaleiros de obras de conservação / reabilitação provocam diversos ataques ao meio ambiente, causando também incómodo aos inquilinos e todos os cidadãos que circulem na área e nas imediações em que são implantados. A produção de resíduos de construção e (eventual) demolição – RCD, a geração de poeiras, a escorrência de lamas nas vias, a danificação do espaço público, a ocorrência de ruído, entre outros, encontram-se entre os inconvenientes que habitualmente são alvo de descontentamento por parte de moradores e transeuntes. Uma vez mais, a caracterização peculiar do Centro Histórico confere-o como o local mais propenso a estas agressões, classificadas de inconvenientes na actividade decorrente do estaleiro. Alguns estudos realizados recentemente têm sugerido procedimentos que minimizem estes impactos dos estaleiros [9], assim como algumas medidas preventivas e de controlo a tomar em consideração [vd. Quadro 10.4]. A sua selecção deverá ser efectuada de acordo com a especificidade da intervenção em causa e em função do local em que se insere a obra/estaleiro.
Quadro 10.4 | Procedimentos, medidas e controlo preventivo para minimização dos impactos (lamas e poeiras) (adaptado de [9])
Medidas e Controlo Preventivo |
Lamas |
- Evitar decapagem de superfícies de terreno para além do imprescindível;
- Minimizar a operacionalidade dos veículos durante o tempo húmido (ou se estaleiro em estado lamacento);
- Remover da via pública as lamas que acidentalmente tenham ultrapassado os limites do estaleiro;
- Colocar estrados de modo a não afectar directamente a circulação pedonal (sobretudo em caso de chuva);
- Verificar as condições de limpeza dos rodados dos veículos antes de estes abandonarem o estaleiro;
- Construir uma caixa de agregado granular junto aos pontos de saída do estaleiro;
- Aplicar barreiras de sedimentos, constituídas por geotexteis fixos a prumos verticais, de forma a retê-los;
- Montar máquinas de lavagem de veículos (em situações especiais). |
Poeiras |
- Identificar a causa da produção de poeiras – medida preliminar para evitar ou mitigar a emissão de poeiras;
- Adoptar tecnologias limpas., e.g., utilizar ferramentas com extractor de pó;
- Pulverizar / humedecer materiais e solos sempre que existir o risco de propagação de poeiras;
- Colocar nos acessos e zonas preferenciais de circulação cascalho e controlar o tráfego no estaleiro;
- Cercar os andaimes com redes – barreira à propagação de poeiras, e.g., em edifícios sujeitos a demolições;
- Colocar “mulch” em áreas sujeitas a intervenções (meio rápido e eficaz de reduzir a erosão pelo vento);
- Instalar barreiras para o vento, capazes de reduzir a capacidade de levantar poeiras;
- Cobrir materiais poeirentos armazenados;
- Aplicar coberturas sobre todas as cargas a transportar, susceptíveis de produzirem poeiras;
- Limpar materiais caídos no pavimento, acautelando o levantamento de poeiras;
- Evitar a realização de tarefas em dias de vento, e.g., limpeza do estaleiro, recargas nos estaleiros de preparação do betão ou argamassas, incluindo silos com cimento e baterias de inertes;
- Utilizar cones de evacuação de RCD, que evitem a propagação de poeiras devido ao lançamento dos resíduos, além de garantir a protecção dos trabalhadores e/ou utentes da via pública;
- Aplicar cobertura vegetal sobre terrenos susceptíveis de arrastamento – estabilização ao movimento de terras |